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ALAIN MARION
A flauta de Alain Marion silenciou-se no dia 16 de agosto de 1998.

"Flautista importante, professor respeitado, Alain não perdeu jamais sua simplicidade. Tratava a todos, colegas e alunos, com simpatia e gentileza. Era dotado de entusiasmo e energia inigualáveis. Como sua intérprete em dois Festivais Internacionais, pude sentir isto na pele. Julguei que enquanto ele estivesse dando aula em pé, eu deveria traduzir em pé, igualmente. Sentar-se apenas quando ele também se sentasse. Acontece que o homem não descansava nunca! E não parava para café, para almoço, para nada. No final, eu é quem estava exausta - e a única coisa que eu havia feito era traduzir! Ele, lá, inteiraço. Pronto para ouvir mais e mais alunos, com uma boa vontade extraordinária. Eu ficava pensando: de onde ele tira tanta resistência? Mas ao conhecê-lo melhor, a coisa se explicava. Alain Marion era um grande amante da vida - adorava música, comida, vinhos, apreciava uma bela figura de mulher, gostava de conversar tinha orgulho de tudo o que havia conquistado. E no entanto o destino nos pregou uma grande peça; armou, como armadilha, a única coisa que poderia abatê-lo: a morte de seu netinho apagou para sempre o sorriso do Professor. Na verdade, dizer que ele morreu, simplesmente, é faltar um pouco com a verdade.

Na realidade ele desistiu de viver. "Segundo sua esposa Christiane, Alain morreu de amor". Nós todos, tanto seus amigos quanto aqueles que só o conheceram de longe, ficamos abalados e perdemos um pouco da nossa própria "joie-de-vivre". O Brasil não deixou de mostrar pessoalmente o seu pesar. Celso, que foi aluno e grande amigo do Prof. Marion, esteve presente no funeral, representando a classe dos flautistas do lado de cá do Equador - e tentando, ele mesmo, se convencer desta realidade triste: Alain Marion não está mais entre nós."
(Laura Rónai - Pattápio Nº13, setembro de 1998)